Paisagismo em cobertura: o que é e quais as vantagens

cobertura verde

O paisagismo em cobertura é uma tendência em ascensão na era moderna. E mais do que uma questão estética, é uma necessidade dos grandes centros urbanos (e não só), cujos benefícios vamos abordar neste artigo.

O que é o paisagismo em cobertura?

O paisagismo em cobertura refere-se à utilização de vegetação na superfície de uma estrutura construída, sem ter em conta o tipo de edifício ou o tipo de vegetação a ser usada.

Ao contrário das paredes verdes construídas com sistemas de jardins verticais, as coberturas verdes estendem-se sobre a estrutura, maioritariamente, na horizontal, criando um ambiente suspenso que pode variar entre pequenas áreas ajardinadas a extensos jardins elevados.

Ao longo das últimas décadas, a arquitetura, o paisagismo e a construção têm caminhado de mãos dadas, à procura de novas soluções e mais sustentáveis para trazer a natureza de volta às grandes cidades. E é neste contexto que surgem as coberturas verdes e os jardins verticais, por exemplo.
 
Muito mais do que uma tendência, o paisagismo em cobertura é a estratégia dos projetistas para o combate às alterações climáticas. Com uma Europa e um mundo cada vez mais afetados pelo aquecimento global e pelas grandes catástrofes, é na natureza que encontram o refúgio e, sobretudo, a principal estratégia ambiental das cidades para tentar contrariar todos estes fenómenos.

O paisagismo em cobertura no mundo

Através dele, muitas cidades à volta do mundo têm conseguido melhorar as condições de vida de quem nelas vive. A cidade de Basel, na Suíça, é um exemplo perfeito disso mesmo, tendo a maior área de telhados verdes em todo o mundo. Tudo isto graças aos programas de incentivos levados a cabo pelo país. Mas não é só Basel que está a trilhar um caminho sustentável nos centros urbanos. Stuttgart, Londres e Malmö são outros exemplos a seguir.

Por exemplo, o Centro Comercial Emporia, na cidade de Malmö (localizada no sul da Suécia), é um dos muitos projetos europeus que põe em prática o paisagismo no terraço da cobertura.

É claro que as coberturas verdes estão cada vez mais presentes na arquitetura e construção sustentável, a competirem com os grandes blocos de cimento que se erguem ao longo das cidades. São essenciais à saúde humana e à qualidade do ar das cidades, mostrando ser possível aliar a funcionalidade, a sustentabilidade e a estética, com recursos muitas vezes mais baixos.

Tipos de paisagismo em cobertura

Em relação às coberturas, existem três tipos que variam em função da manutenção, acessos ou profundidade do substrato, por exemplo.

Extensiva

A cobertura verde extensiva diz respeito à aplicação de uma camada de vegetação de baixa manutenção sobre edifícios e outras construções. Com uma camada de substrato que não ultrapassa os 10 cm, a vegetação predominante é o  sedum e sempervivum e não chega aos 50 cm de altura.

Intensiva

Pelo contrário, a cobertura verde intensiva requer uma manutenção maior, à semelhança de um jardim dito normal. Essa abordagem permite o cultivo de uma variedade de plantas, entre as quais herbáceas, perenes e árvores. A espessura da camada de substrato é superior a 15 cm e tem um peso conjunto que ultrapassa 180 kg/m2.

Semi-intensiva

Por fim, a cobertura verde semi-intensiva caracteriza-se pela combinação de elementos intensivos e extensivos, exigindo uma manutenção moderada. A vegetação predominante são as plantas herbáceas, subarbustivas e arbustivas. Relativamente à espessura desta cobertura, varia entre 10 cm e 25 cm.

Quais são as vantagens?

A incorporação das coberturas verdes nas cidades oferece um conjunto de benefícios, entre os quais o isolamento térmico, promoção da biodiversidade e melhoria da qualidade de vida dos habitantes.

Estes benefícios, aliados à valorização da paisagem urbana e dos edifícios, estabelecem argumentos inquestionáveis para a introdução destas práticas no planeamento e gestão das cidades atuais.

Eis as maiores vantagens do paisagismo em cobertura:

Combate aos gases com efeito de estufa

A vegetação nas coberturas verdes contribui para a absorção de dióxido de carbono, ajudando a abrandar os efeitos dos gases com efeito de estufa.

Menor consumo de energia

A camada adicional de isolamento proporcionada pelas coberturas verdes acaba por reduzir a necessidade de aquecimento ou arrefecimento através de ar condicionado, por exemplo, resultando em menor consumo de energia.

Maior biodiversidade no espaço urbano

As coberturas verdes oferecem um ambiente propício para o crescimento de plantas, promovendo a biodiversidade em áreas urbanas e criando habitats para insetos e aves.

Redução do efeito das ilhas de calor

A vegetação nas coberturas contribui para diminuir a temperatura nas áreas urbanas, ajudando a combater o fenómeno das ilhas de calor e melhorando o conforto térmico.

Melhor gestão das águas pluviais

As coberturas verdes absorvem e retêm a água da chuva, reduzindo o escoamento superficial e contribuindo para uma gestão mais eficiente das águas pluviais.

Em Bjørvika, na Noruega, por exemplo, metade das coberturas verdes deste bairro localizado na capital do país têm como principal objetivo a drenagem, armazenamento e retenção de água, já que as construções dos grandes centros urbanos acabam por destruir a drenagem natural do solo. Desta forma, é possível contornar o problema e evitar prejuízos.

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