Intervenção estrutural no Castelo de Palmela: preservar a história com engenharia do presente
Intervenção estrutural no Castelo de Palmela: preservar a história com engenharia do presente
Intervir num monumento com séculos de história nunca é apenas um exercício técnico, é um compromisso com o passado, o presente e o futuro. O Castelo de Palmela, com a sua imponência histórica e localização estratégica, foi alvo de uma intervenção estrutural cuidadosamente planeada para garantir a estabilidade, segurança e valorização do património.
Este foi o tema central do webinar realizado pelo engenheiro da JETsj Geotecnia Rui Tomásio: “Intervenção estrutural no Castelo de Palmela: desafios e soluções”. O especialista revelou os bastidores de um projeto exigente, onde se cruzaram engenharia, arqueologia, arquitetura e sustentabilidade.
O contexto: um monumento com desafios específicos
Situado numa elevação com vista privilegiada sobre a Serra da Arrábida e o estuário do Sado, o Castelo de Palmela é um marco do património nacional. No entanto, os sinais de degradação acumulada ao longo dos séculos - agravados por fatores como erosão, infiltrações e sismos históricos - levantaram preocupações sérias ao nível da estabilidade de alguns elementos estruturais.
A intervenção exigiu uma abordagem que respeitasse:
- A autenticidade do monumento;
- A fragilidade dos materiais originais;
- As restrições legais associadas ao património classificado;
- A necessidade de manter acessos e segurança durante a obra.
Diagnóstico detalhado: o ponto de partida
Antes de qualquer intervenção, foi feito um diagnóstico estrutural aprofundado, com recurso a:
- Inspeções visuais e mapeamento de fissuras;
- Monitorização de deformações;
- Ensaios não destrutivos para avaliar a consistência dos materiais;
- Modelação estrutural com simulação de cargas.
Este processo foi essencial para perceber a origem e a evolução dos problemas, definindo os critérios para uma intervenção segura e minimamente intrusiva.
Sustentabilidade e valorização patrimonial
Um dos aspetos mais valorizados no projeto foi a sua abordagem sustentável e integrada. Para além das preocupações estruturais, existiu uma clara intenção de:
- Melhorar o conforto e a segurança dos visitantes;
- Valorizar os percursos museológicos e de visita;
- Reduzir a pegada ambiental da intervenção, escolhendo materiais duráveis, recicláveis e compatíveis com a construção original.
A argila expandida foi usada como material leve de enchimento, contribuindo para a redução de cargas. A sua leveza, durabilidade e resistência à humidade fazem com que seja uma aliada valiosa em contextos de reabilitação patrimonial.
A intervenção no Castelo de Palmela demonstra como é possível conciliar o rigor técnico com o respeito pelo património, usando metodologias contemporâneas que se adaptam à complexidade e sensibilidade de cada caso. É um exemplo de boas práticas na reabilitação de monumentos, que pode inspirar projetos semelhantes noutras localidades históricas.
Mais do que uma intervenção técnica, o trabalho desenvolvido no Castelo de Palmela foi um exercício de equilíbrio entre ciência, história e responsabilidade.
Através de soluções eficazes foi possível garantir a preservação de um símbolo identitário, mantendo-o vivo e seguro para as próximas gerações.
Assista ao webinar completo abaixo.