O que são as DAP e qual o seu impacto na sustentabilidade
Num setor da construção cada vez mais pressionado a reduzir o seu impacto ambiental, ferramentas como a Declaração Ambiental de Produto (DAP) assumem um papel central.
Mais do que um documento técnico, a DAP permite medir, comunicar e comparar o desempenho ambiental de materiais e soluções, tornando-se essencial para decisões mais sustentáveis.
Neste artigo, exploramos o que são as DAP, como funcionam e qual o seu impacto real na sustentabilidade, com base na perspetiva de Ana Raquel Fernandes, Production Manager na Leca Portugal.
Mas, afinal, o que é uma DAP?
A Declaração Ambiental de Produto (DAP) - ou Environmental Product Declaration (EPD) - é um documento que resume, de forma objetiva e normalizada, o perfil ambiental de um produto, componente ou serviço. Este documento segue normas específicas, como as ISO 14040, 14044 e 14025, garantindo consistência e comparabilidade.
Uma das principais características das DAP é o facto de serem declarações do tipo III, o que significa que têm obrigatoriamente de ser verificadas por uma entidade externa e independente. Esta validação assegura a fiabilidade dos dados e reforça a transparência no mercado.
Como funciona uma DAP
A DAP baseia-se numa análise de ciclo de vida (ACV), que considera todas as etapas do produto:
- Extração das matérias-primas;
- Transporte;
- Produção;
- Utilização;
- Fim de vida.
Em cada fase, são avaliadas entradas (como energia e recursos) e saídas (como emissões para o ar, água ou solo). Esta análise permite quantificar os impactos ambientais associados ao produto ao longo de todo o seu ciclo de vida.
No setor da construção, as DAP seguem a norma europeia EN 15804, que define como os dados devem ser calculados e apresentados. Isto garante que produtos semelhantes são avaliados com base nos mesmos critérios, assegurando possibilidade de comparação entre diferentes fabricantes.
Evolução das DAP: da teoria à prática
Inicialmente, as DAP foram criadas para avaliar o impacto ambiental de edifícios no seu conjunto, e não para comparar produtos individualmente. No entanto, com o tempo, passaram a ser utilizadas também para essa comparação.
Durante muitos anos, o foco esteve sobretudo nas emissões de CO₂. No entanto, entendeu-se que isso podia levar a decisões incompletas, ignorando outros impactos ambientais relevantes.
Para responder a este desafio, a norma foi atualizada e alinhada com a metodologia PEF (Product Environmental Footprint), permitindo uma avaliação mais abrangente e equilibrada dos diferentes impactos ambientais.
O caso da Leca Portugal
Na Leca Portugal, as DAP estão disponíveis tanto no site como em plataformas oficiais de publicação, como a EPD International.
Em 2023, o produto Leca apresentava um potencial de aquecimento global de 111,3 kg CO₂e/m³ (módulos A1-A3). Após melhorias nos processos produtivos, esse valor foi reduzido para 53,9 kg CO₂e/m³, o que representa uma diminuição de cerca de 51%.
Esta redução foi possível graças a:
- Otimização contínua dos processos;
- Utilização de eletricidade de fontes 100% renováveis;
- Substituição da fonte de energia por biomassa de origem certificada.
Qual o contributo das DAP para a sustentabilidade
As DAP têm um impacto relevante tanto a nível interno como externo:
Internamente, permitem:
- Identificar pontos críticos (red flags);
- Definir prioridades de investimento;
- Apoiar estratégias de melhoria contínua.
Externamente, contribuem para:
- Maior transparência e credibilidade;
- Cumprimento de requisitos legais;
- Apoio a certificações ambientais como LEED ou BREEAM.
Além disso, são fundamentais para avaliar o impacto ambiental de edifícios e projetos de construção, ajudando a transformar o setor num modelo mais sustentável.
Ou seja, a DAP é muito mais do que um documento técnico. É uma ferramenta estratégica que permite medir, comparar e reduzir impactos ambientais, contribuindo para decisões mais informadas e para uma construção mais sustentável.
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